sábado, 30 de abril de 2022

Eu realmente não gostei de Real Love

Um full álbum é sempre uma boa notícia na vida de um kpopper, mas com o Oh My Girl, talvez eu devesse começar a ter um pé atrás. Isso porque o seu primeiro full álbum não me deixou uma grande impressão e o segundo...

Como Miracle, eu realmente queria gostar de Real Love, tentei ver os stages, ouvir e ouvir de novo, tentei me acostumar com as músicas, mas realmente não deu.

A verdade é que eu não consegui "sentir" o Oh My Girl no álbum, se eu ouvisse uma playlist mista com vários girlgroups, não conseguiria indentificar a maioria das músicas de Real Love como do Oh My Girl. Não é uma questão de mudança de conceito, é um estranhamento que está mais ligada a musicalidade do grupo e a produção das músicas. 

Não estou dizendo que o álbum é ruim e talvez esta seja uma sensação só minha, mas ela é real e um pouco preocupante. O som do Oh My Girl sempre me pareceu muito único, suas músicas sempre foram muito identificáveis, mesmo passeando por diferentes gêneros e conceitos.


•Comentando faixa à faixa:

Aviso: Eu não tenho nenhuma formação em música, nenhum conhecimento técnico. Tudo aqui é minha opinião como ouvinte de música e Miracle.

•Real Love: Achei fraco como single de comeback. Talvez eu gostasse mais se a música tivesse a mesma vibe no refrão, se fosse uma b-side ou um single especial para os fãs. A parte da ponte é estranha, não têm nada a ver com o resto da música. 
O MV é bonito, mas não agrega nada a mitologia do grupo, não têm nenhuma história ou coreografia e o único significado que eu poderia elaborar é que talvez seja sobre a sensação de agora podermos viajar (pós quarentena). 
 

Achei a dança tão sem energia, geralmente os stages do Oh My Girl me deixam animada ou encantada e sempre impressionada com a qualiade da coreografia e carisma das meninas, mas até nisso Real Love não me ganhou.

•Drip: Nos 16 primeiros segundos da música, eu achei que iria gostar dela, mas aí ela se transforma. Vira algo que eu poderia achar ótimo se fosse do F(X), mas com o Oh My Girl...só me soa esquisito. A parte do refrão muda completamente de novo e nem parece um refrão. No rap da Mimi, muda o ritmo de novo.

Têm tantas mudanças de ritmo que eu não sei o que sentir com a música e olha que estou acostumada com músicas com muita mudança, pois sou fã do ONF. Mas é diferente do ONF, que faz isso desde o debut, já faz parte da identidade musical deles. E suas músicas conseguem me contar uma história, não parece uma mistura aleatória e desconexa.

•Eden: Poderia ser minha favorita do álbum mais aí colocaram um refrão esquisito com efeito que me dá muita agonia. Pra mim, estragou um pouco toda a vibe gostosinha do resto da música, inclusive é um sentimento parecido com o que eu sinto com Doll, que é do álbum anterior. 

•Replay: Eu detesto essa música. Parece o tipo de música que toca em séries adolescentes da Netflix, quando os personagens estão em uma festa com muita luz colorida, pegação e drogas. Sim, isso foi muito específico.

•Parachute:  Essa música parece um pouco o Oh My Girl, o que não dá para dizer das outras, mas aí chega no refrão e ela vira uma música com pegada retrô que qualquer outro girl grupo poderia estar cantando. É diferente de Neon que têm uma vibe retrô, mas com uma contrução super legal e única, com um som que lembra games antigos, algo que elas já trouxeram no álbum da sub unit Banhana Oh My Girl. 


•Kiss & Fix: A música é boa, tem uma vibe gostosinha, instrumental interessante e uma construção que faz você mergulhar no ritmo dela. Me faz pensar em praia, luau e verão. É a minha favorita do álbum, sem sombra de dúvidas, embora também ache o refrão meio estranho.

Blink:  Não acho ela ruim, mas na verdade ela parece algo que eu poderia ouvir de um artista american, nem me lembra K-pop. E acho que essa foi a intenção mesmo, visando o mercado internacional, só que ficou meio artificial. 

•Dear Rose: Eu gosto de Dear Rose, até chegar no refrão. Na verdade esse álbum está cheio de músicas que eu não consigo gostar do refrão. E mais uma vez eu tenho a sensação de que essa poderia ser a música de qualquer outro girl group, não sinto indentidade nela.

•Sailing Heart: Parece uma OST do Oh My Girl,mas isso não é ruim. É bonita, os vocais do Oh My Girl são lindos e tenho certeza de que essa música em um concerto seria um momento de puro encantamento.


Então é isso, é claro que nenhum grupo/idol têm a obrigação de me agradar 100%, mas eu espero que eu consiga encontrar o que eu quero no  próximo lançamento do Oh My Girl. Elas foram o primeiro girlgroup que eu gostei, justamente por achar seu som tão único e sempre terão um lugar muito especial no meu coração, mas se continuar assim, não sei se poderei manter o lugar delas no meu fone de ouvido.

•O que você achou do álbum Real Love do Oh My Girl?

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Tá cansada kpopper?

O ano é 2022 e eu sou uma kpopper cansada.

Mas cansada de que? Do K-POP, eu respondo. Cansada dos fandoms, das empresas, dos haters, das fanwars no twitter, dos reality's da Mnet, das premiações, dos debuts que me parecem muito semelhantes, dos comebacks que me parecem sem personalidade...


O problema é: eu ainda quero ouvir K-POP. Quero a ansiedade dos comebacks. Quero os conceitos bem bolados. Os MVs bem produzidos. Quero me sentir conectada aos idols. Quero surtar junto com outros fãs por causa de uma nova cor de cabelo. Eu quero me sentir parte de algo, parte de uma família de desconhecidos, parte de uma multidão de luzes, parte de um fandom.


Então o que eu faço com esse desânimo? Essa falta de vontade de acompanhar Lives, esse total desinteresse nos idols, nenhuma curiosidade em relação aos novos stages, as músicas de K-POP cada vez menos ouvidas? 

Eu deixei de ser kpopper? Deixei de ser fã? Eu apenas staneio e mal faço isso? O que eu me tornei? Como eu fui da pessoa que era orgulhosamente kpopper para alguém que nem sabe mais o que é?

Vamos voltar ao início do fundo do poço...

O ano era 2016 e eu queria conhecer músicas novas. Na época eu estava ouvindo o One OK Rock, que é uma banda de j-rock, por isso eu decidi dar uma chance para outros gêneros musicais da Ásia. E foi assim que eu conheci o que K-pop.

Meu primeiro grupo foi o B1A4, através do MV de Beautyfull Target. Eu fiquei fascinada: a animação da música, os vocais, o rap, a dança, as cores, o vídeo super divertido. Eu fiquei fascinada.


Durante a minha adolescência eu era aquele tipo extremente irritante de jovem que se acha superior pôr só ouvir rock e MPB. Por causa de puro preconceito, eu menosprezava outros gêneros musicais, principalmente aqueles mais populares entre as pessoas da minha idade, pois eu era "madura demais" para ouvir o mesmo que os outros adolescentes. Eu era um porre.

Felizmente, a maturidade me fez ficar menos insuportável. O K-POP fez meus horizontes se abrirem, chutei o balde em diversos sentidos, fui me desconstruindo de diversos preconceitos e me tornei mais feliz. A mudança foi óbvia, as pessoas ao meu redor notaram que eu estava mais leve, mais sorridente, mais comunicativa, como se um peso tivesse saído dos meus ombros.

Sou muito grata à todos os grupos e idols que de alguma forma, ajudaram a me tornar mais verdadeira comigo mesma e a me amar. Sim, o BTS foi parte essencial do meu processo de auto aceitação. Processo que está em andamento, mas que só começou por causa deles.



Inclusive, tenho uma relação de amor e ódio com o fandom Army, várias vezes achei que essa relação conturbada me afastaria do K-POP, mas não foi. Me fez desinstalar o twitter por uns anos? Sim. Já chorei de frustração? Também. Mas aprendi a separar o joio do trigo, tomei para mim a missão de ser um bom exemplo dentro do fandom ao invés de só me afastar.


Houve muitos disbands. Tenho uma tendência a gostar de grupos de empresas pequenas e isso é sempre um risco. Com a pandemia, notícias de disband ficaram cada vez mais comuns, sem contar aqueles que simplesmente somem. Sem atualizações, sem notícias, sem adeus. A lista é grande, infelizmente.

Z-Girls e We Girls foi saindo integrante por integrante. B1A4, KARD e ONF pararam por causa do exército. Weki Meki sempre deixada de lado pela Fantagio, mal recebendo comebacks. Purple Beck em um hiatos de anos que acabou com a saída de uma integrante. Park Bom com longos hiatos e singles digitais sem promoção. 

BTS focando tanto no mercado americano, que acabou me dando com uma saudade imensa do BTS, mesmo eles estando presentes. E essa mesma sensação eu senti ao ouvir o novo álbum do Oh My Girl, um estranhamente, um não reconhecimento.

TRI.BE foi uma grata surpresa. Borboletas no estômago, ansiedade pelos comebacks, aquela sensação de "É isso! É esse aqui! Era isso que eu queria e não sabia" que eu senti lá em 2016, ao ouvir o B1A4 pela primeira vez.


Eu costumava consolar kpoppers mais antigas que se queixavam de não se sentirem mais tão conectadas aos seus grupos/idols ou tão interessadas no mundo do K-POP. Argumentava que era normal, natural, interesses mudam, a vida fica mais corrida e está tudo bem.
Agora repito essas mesmas palavras para mim mesma, tentando me convencer usando meus próprios argumentos.

A pandemia provavelmente acelerou esse processo em mim. Viver ficou mil vezes mais penoso, mais cansativo. Tudo ficou amplificado, tudo ficou pesado. Até mesmo o K-POP. Devia ser meu hobbie, minha válvula de escape, mas de alguma forma, o fogo se abrandou.

Ainda estou mantendo o fogo acesso, mas não estou incendiando o mundo, nem mesmo sou uma chama constante. Me sinto apenas uma brasa.

🌈HOLLAND IS BACK BITCHS!!!🌈

Se você já estava no k-pop em 2018, pôde presenciar um momento histórico na indústria: o debut do primeiro idol abertamente gay....