quinta-feira, 14 de abril de 2022

Tá cansada kpopper?

O ano é 2022 e eu sou uma kpopper cansada.

Mas cansada de que? Do K-POP, eu respondo. Cansada dos fandoms, das empresas, dos haters, das fanwars no twitter, dos reality's da Mnet, das premiações, dos debuts que me parecem muito semelhantes, dos comebacks que me parecem sem personalidade...


O problema é: eu ainda quero ouvir K-POP. Quero a ansiedade dos comebacks. Quero os conceitos bem bolados. Os MVs bem produzidos. Quero me sentir conectada aos idols. Quero surtar junto com outros fãs por causa de uma nova cor de cabelo. Eu quero me sentir parte de algo, parte de uma família de desconhecidos, parte de uma multidão de luzes, parte de um fandom.


Então o que eu faço com esse desânimo? Essa falta de vontade de acompanhar Lives, esse total desinteresse nos idols, nenhuma curiosidade em relação aos novos stages, as músicas de K-POP cada vez menos ouvidas? 

Eu deixei de ser kpopper? Deixei de ser fã? Eu apenas staneio e mal faço isso? O que eu me tornei? Como eu fui da pessoa que era orgulhosamente kpopper para alguém que nem sabe mais o que é?

Vamos voltar ao início do fundo do poço...

O ano era 2016 e eu queria conhecer músicas novas. Na época eu estava ouvindo o One OK Rock, que é uma banda de j-rock, por isso eu decidi dar uma chance para outros gêneros musicais da Ásia. E foi assim que eu conheci o que K-pop.

Meu primeiro grupo foi o B1A4, através do MV de Beautyfull Target. Eu fiquei fascinada: a animação da música, os vocais, o rap, a dança, as cores, o vídeo super divertido. Eu fiquei fascinada.


Durante a minha adolescência eu era aquele tipo extremente irritante de jovem que se acha superior pôr só ouvir rock e MPB. Por causa de puro preconceito, eu menosprezava outros gêneros musicais, principalmente aqueles mais populares entre as pessoas da minha idade, pois eu era "madura demais" para ouvir o mesmo que os outros adolescentes. Eu era um porre.

Felizmente, a maturidade me fez ficar menos insuportável. O K-POP fez meus horizontes se abrirem, chutei o balde em diversos sentidos, fui me desconstruindo de diversos preconceitos e me tornei mais feliz. A mudança foi óbvia, as pessoas ao meu redor notaram que eu estava mais leve, mais sorridente, mais comunicativa, como se um peso tivesse saído dos meus ombros.

Sou muito grata à todos os grupos e idols que de alguma forma, ajudaram a me tornar mais verdadeira comigo mesma e a me amar. Sim, o BTS foi parte essencial do meu processo de auto aceitação. Processo que está em andamento, mas que só começou por causa deles.



Inclusive, tenho uma relação de amor e ódio com o fandom Army, várias vezes achei que essa relação conturbada me afastaria do K-POP, mas não foi. Me fez desinstalar o twitter por uns anos? Sim. Já chorei de frustração? Também. Mas aprendi a separar o joio do trigo, tomei para mim a missão de ser um bom exemplo dentro do fandom ao invés de só me afastar.


Houve muitos disbands. Tenho uma tendência a gostar de grupos de empresas pequenas e isso é sempre um risco. Com a pandemia, notícias de disband ficaram cada vez mais comuns, sem contar aqueles que simplesmente somem. Sem atualizações, sem notícias, sem adeus. A lista é grande, infelizmente.

Z-Girls e We Girls foi saindo integrante por integrante. B1A4, KARD e ONF pararam por causa do exército. Weki Meki sempre deixada de lado pela Fantagio, mal recebendo comebacks. Purple Beck em um hiatos de anos que acabou com a saída de uma integrante. Park Bom com longos hiatos e singles digitais sem promoção. 

BTS focando tanto no mercado americano, que acabou me dando com uma saudade imensa do BTS, mesmo eles estando presentes. E essa mesma sensação eu senti ao ouvir o novo álbum do Oh My Girl, um estranhamente, um não reconhecimento.

TRI.BE foi uma grata surpresa. Borboletas no estômago, ansiedade pelos comebacks, aquela sensação de "É isso! É esse aqui! Era isso que eu queria e não sabia" que eu senti lá em 2016, ao ouvir o B1A4 pela primeira vez.


Eu costumava consolar kpoppers mais antigas que se queixavam de não se sentirem mais tão conectadas aos seus grupos/idols ou tão interessadas no mundo do K-POP. Argumentava que era normal, natural, interesses mudam, a vida fica mais corrida e está tudo bem.
Agora repito essas mesmas palavras para mim mesma, tentando me convencer usando meus próprios argumentos.

A pandemia provavelmente acelerou esse processo em mim. Viver ficou mil vezes mais penoso, mais cansativo. Tudo ficou amplificado, tudo ficou pesado. Até mesmo o K-POP. Devia ser meu hobbie, minha válvula de escape, mas de alguma forma, o fogo se abrandou.

Ainda estou mantendo o fogo acesso, mas não estou incendiando o mundo, nem mesmo sou uma chama constante. Me sinto apenas uma brasa.

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🌈HOLLAND IS BACK BITCHS!!!🌈

Se você já estava no k-pop em 2018, pôde presenciar um momento histórico na indústria: o debut do primeiro idol abertamente gay....